Recentemente
tive a oportunidade de visitar as instalações do Senado italiano em Roma. Um prédio
maravilhoso , antigo palácio de uma das famílias mais tradicionais da região,
com impressionante mobiliário e tapeçaria e mantido em um perfeito estado de
conservação. A pessoa que me ciceroneava
levou-me ao plenário e comentou como são feitas as votações , como são
registrados os discursos , como são manuseados os processos das comissões de
estudo e uma série de outras considerações muito interessantes . Como eu me
interessasse em saber sobre se havia alguma estrutura de gestão da informação,
mostrou-me como isso era feito e detalhou como a digitalização e os arquivos
digitais facilitaram a vida dos senadores , das comissões internas , das
consultas públicas e da definição das leis. Fiquei muito bem impressionado
sobre o processo e alguns itens de tecnologia como a criptografia utilizada e
também a taquigrafia das sessões com gravação eletrônica. Ë interessante como a
maioria de nós , consultores e articulistas , focamos na maioria das vezes,
nossas análise e considerações sobre as empresas do mercado privado , pois
acreditamos que ali é que se encontram as atualizações mais recentes da
tecnologia da informação e deixamos de observar o universo governamental.
Como sou um
leigo em assuntos administrativos e operacionais do Congresso dos países , ao
retornar entrei em contato com um amigo que trabalha na retaguarda de TI das
nossas casas governamentais em Brasilia , comentando sobre minha visita. Em
resposta ele me orientou que nosso Senado e Camara em Brasilia também tem muita
tecnologia aplicada , tem um processo muito bem estruturado e tem uma excelente
equipe de retaguarda. É natural que essas informações não possam ser detalhadas
, até mesmo por questões de confidencialidade , mas mereceriam que nosso público
tivesse mais conhecimento das ilhas de excelência que temos dentro de nossas
casas mães da política nacional. Sinceramente , fiquei surpreso em saber como
estamos atualizados tecnologicamente nas duas casas do Congresso e que tudo
isso poderia trazer grandes benefícios na disseminação da informação , não só
histórica , mas principalmente administrativa. Em conversas com outros
funcionários pudemos observar que aos poucos essas portas se abrem e que em um
futuro , não se sabe bem quão longe , teremos oportunidade de vivenciar uma
nova abertura democrática , agora da informação.
* Luiz Alfredo Santoyo é empresário, tem grande vivência no
segmento de Document Management, ex-presidente da ABGD especialista em Records Management
e articulista da Revista Document Management