A diferença entre o storage disponível e o volume de informações geradas tende a
crescer cada vez mais dentro das corporações, tornando muito mais árdua a
tarefa dos departamentos de tecnologia, responsáveis por fazer um gerenciamento
adequado das informações armazenadas.
Para
alguns segmentos, como o mercado financeiro e o setor de saúde, a importância
de um armazenamento dinâmico de dados é evidente. Em ambos os casos, a pressão
veio de cima, primeiro com a criação por parte do Banco Central do Sistema de
Pagamentos Brasileiro (SPB), que obrigou as instituições financeiras a resolver
o problema de compatibilidade e interconexão entre os sistemas de dados; agora
com o TISS (Troca de Informações em Saúde Suplementar),
modelo unificado criado pela ANS para o intercâmbio de dados entre operadoras
de planos privados de assistência à saúde e prestadores de serviços. Para
outros setores da economia, esta questão pode ainda não ter sido priorizada,
mas certamente o será em um curto prazo.
Simone Ossuna da CAS Tecnologia (www.cas-tecnologia.com.br)
Para
se ter uma dimensão do peso estratégico do armazenamento de dados nos dias de
hoje, segundo um estudo publicado recentemente pelo IDC, o volume de informações
criadas, capturadas e replicadas em 2007 foi de 287 hexabytes (ou 281 bilhões
de gigabytes), o que representa mais do que os 264 hexabytes atualmente
disponíveis em discos rígidos, fitas, CDs, DVDs e memórias.
Um
dos grandes problemas que acontecem nas médias e grandes empresas é o fato de
um mesmo arquivo, seja ele um texto em Word, uma planilha em excel ou uma
apresentação em power point, ou mesmo um e-mail, ser gravado várias vezes com
nomes e/ou versões diferentes, gerando para cada arquivo até 60 copias
diferentes no backup.
Com
ferramentas especificas, no entanto, é possível identificar e mostrar a
importância de cada dado. Quais podem ser apagados, quais podem ser migrados
para um segundo nível de armazenamento, quantos estão duplicados e quais nunca
serão modificados. Uma das principais soluções existentes hoje é a
de-duplicação, que permite que um arquivo seja salvo apenas uma vez pelo
backup, independente das versões que possam ser feitas a partir dele, o que
resulta em uma redução diária de dados em até 300 vezes.
Além
de ocupar apenas o volume irremediavelmente necessário no banco de dados da
empresa, é preciso atentar para a segurança e alta disponibilidade dos dados.
Ou seja, é preciso estar apto para resgatar toda e qualquer informação
independente da origem, local de armazenamento ou idade dos dados.
A
questão da mobilidade a que os executivos estão sujeitos nos dias de hoje é
outro ponto que deve ser examinado com cuidado pelos departamentos de
tecnologia das empresas. Hoje em dia, os dados armazenados em um computador são
bens mais valiosos do que o equipamento, propriamente dito. Ter o computador
invadido ou roubado pode significar que dados estratégicos e sigilosos sejam
facilmente acessados por desconhecidos ou caiam nas mãos de espiões digitais,
com resultados desastrosos e perdas financeiras significativas.
Exemplos
recentes de roubos de dados sigilosos dominam as manchetes dos veículos
especializados:
EUA
perde dados de 3 milhões de condutores britânicos
Alunos do Reino Unido foram vítimas da perda de arquivos em um disco rígido,
que continham nome, endereço, telefone e e-mail.
Reino Unido perde dados de 7 milhões de famílias
Órgão que controla o pagamento de impostos e benefícios reconheceu a perda de
dados de 25 milhões de registros de crianças beneficiárias.
Dados de 100 mil trabalhadores são perdidos nos EUA
Órgão responsável pela segurança em aeroportos informa a perda de um disco com
informações de atuais e antigos trabalhadores.
Roubo expõe dados pessoais de 337 mil eleitores nos EUA
Roubo de dois notebooks sem encriptação em Nashville vaza nomes e números do
Seguro Social de 337 mil eleitores antes do Natal.
Vítimas de perda de dados nos EUA passam dos 100 milhões
Com a perda de dados de 382 mil funcionários da Boeing, lista que registra
perda de dados desde 2005 passa marca dos 100 milhões.
Neste
contexto, já há soluções a preços bastante convidativos que permitem que os dados
dos notebooks sejam criptografados e acessados apenas por pessoas autorizadas.
Enfim,
as companhias modernas devem se precaver e investigar a fundo sua arquitetura
de dados de modo que otimizem investimentos futuros e simplifiquem os ambientes
de gerenciamento. Isso não é para ontem, é para já!
* Simone Ossuma - gerente de back up coporativo da CAS Tecnologia